Cheguei em Guayaquil (Parte 1)
Quando cheguei ao
Equador pela primeira vez a sensação que tive foi a térmica. Me
encontrei com o calor de Guayaquil e isso que já era noite. Saí do aeroporto
com Leo e Felipe, Leo já o conhecia, pois foi ele quem me convidou para ir ao
país de aproximadamente 15 milhões de habitantes situado entre os dois
hemisférios que divide o mundo. Felipe eu havia acabado de conhecer. Oriundo da
península do Equador até que me tratou bem, não imaginava eu que seria meu
parceiro – companheiro de lar e risadas. Chegamos na avenida para pegar um taxi
e ir à rodoviária, que transito louco, buzinas, carros velhos e a
multidão de veículos circulando nas avenidas de la ciudad caliente. Guayaquil
é a capital econômica do país, a população da cidade se aproxima dos três
milhões de habitantes. A cidade é quente o ano inteiro e os guayaquileños
se levantam cedo. Ao sair de casa não hesitam em desfrutar de um rico encebollado
pelas ruas barulhentas. Ao conversar com um nativo você acaba ouvindo algumas
gírias que não aprendeu nas aulas de espanhol – que bestia, la plena, habla
serio são palavras que pertencem ao vocabulário equatoriano. Apaixonados por
dois grandes clubes da cidade, Barcelona e Emelec, os guayacos se
provocam, eles assim como os brasileiros, também são apaixonados por futebol.
Sem dúvida alguma o lugar mais bonito que visitei em Guayaquil foi o Malecón,
acompanhado pela rua Nueve de Octubre e os longos 444 degraus das
escadas que levam ao cerro Santa Ana. Enquanto sobes os degraus deparas com os
bares e restaurantes típicos da cidade. Encima do Cerro, encontramos réplicas
dos piratas que um dia chegaram ao porto. Cultura que faz com que cresça a
curiosidade. Guayaquil também é uma cidade de grandes poetas do passado como
Medardo Angel Silva do qual a poesia o levou a ser o maior representante do
modernismo Equatoriano. Hoje ficam as lembranças, dos lugares e amigos. Graças
às mídias sociais pode-se chegar até lá novamente.
ESTRADA QUE NOS LEVA A
MANTA
Que rodoviária! A
rodoviária de Guayaquil era a mais incrível que eu havia visto. Quem não
conhece pode se confundir com um shopping center. Lojas, bancos, uma bem
modelada praça de alimentação e claro, os ônibus que levam equatorianos e
estrangeiros para todos os cantos do país. Nos guichês de passagens ouve-se
gritos, uma intensa disputa para vender passagens, se bobear os vendedores
seguem os compradores quase implorando para que lhes comprem os boletos que não
passam de dez ou quinze dólares. Dentro do ônibus pode-se ouvir às canções
típicas de um país latino. Cúmbia, merengue, salsa, reguetón num volume
alterado. Pelas janelas percebe-se um pouco da pobreza do país, pobreza tal que
chega a ser rica. Vários restaurantes típicos de beira de estrada, só que
esses, são feitos de bambus e cobertos de palhas. Na cozinha dos restaurantes
são preparados deliciosos pratos de sopas, maduro frito, plátano asado,
arroz, pescado, ceviche e muitos outros pratos típicos do país. Mulheres
lutadoras estão à beira do fogo com as mãos calejadas e abençoadas. Ainda pela
janela dá para ver as montanhas desérticas da província de Manabí, cheia de
poeiras, matos secos e terra seca. Em algumas cidades nos deparamos com os
moto-taxis, são tantos e não dá para entender como não batem uns nos outros
girando e acelerando com os passageiros que estão na parte de trás, numa
espécie de carroceria que é coberta, protegida do sol. De repente o ônibus
para, entram os vendedores de tortillas, os passageiros às vezes correm
para não ficar sem, pois acabam rápido. Essas tortillas podem ser de carne
ou queijo, no começo talvez não seja atrativa, mas depois se torna costume e
acabamos gostando. Não se pode negar que o caminho é lindo, uma paisagem
diferente, as casas assim como os restaurantes são com bambus e palhas. O sol é
escaldante, é de doer, mas eles são felizes, os Equatorianos são felizes!
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